A Comercialização
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Artesanato e Trabalho Manual

Você tem um talento nato? Tem habilidades para fazer trabalhos manuais e o seu sonho é vender a sua arte para o mundo? O fato é que muitos artistas, assim como você, enfrentam um verdadeiro drama na hora de ter o seu trabalho reconhecido como tal. Há quem diga que artesanato é “coisa de vagabundo” ou simplesmente um hobby sem nenhuma importância, sem enxergar toda a beleza e o papel da arte manual na sociedade.

É esse tipo de pensamento que, ao ser propagado na sociedade, cria uma espécie de barreira entre o artista manual e a possibilidade de ser reconhecido da forma que merece. É claro que existem instituições, como o Sindarte (Sindicado dos Artesãos) e o CNARTS (Confederação Nacional dos Artesãos do Brasil) que, através de reuniões como o CONTRARTE (Congresso Nacional dos Trabalhadores Artesãos) reivindicam melhores condições e direitos trabalhistas para essa classe, mas podemos dizer que esta luta está apenas começando e será necessário transpor ainda inúmeras barreiras para que esses talentos sejam considerados como verdadeiros profissionais que são, e possam sobreviver da sua arte.

As propostas apresentadas vão desde direitos trabalhistas até maior ênfase e incentivo à divulgação deste tipo de trabalho. As propostas são apresentadas em busca de algum apoio para trazer a possibilidade de torná-las reais. Elas buscam mostrar o quanto o artesanato representa um importante elemento cultural do nosso povo e, portanto, bani-lo do nosso cotidiano ou não dar o devido valor às pessoas que querem exercer este talento seria uma falta de consideração por uma parte da nossa história. Isso sem contar a riqueza de detalhes de cada região que pode ser conhecida através da observação da arte de cada povo. Embora os acessórios fabricados manualmente possam ser os mesmos, cada peça é única, pois cada artista imprime nela características da sua região, da sua personalidade e emoções e pensamentos do momento da fabricação.

É por isso que as peças que envolvam processos industriais e mecânicos em sua confecção não devem ser consideradas como artesanato. Esse tipo de processo tira a “humanidade” da peça, transformando-a em uma simples unidade pertencente a um lote uniforme, diferentemente do que acontece no trabalho manual. As feiras de artesanato são destinadas às pessoas que precisam fazer o seu trabalho conhecido e respeitado para que possam sobreviver dele e ser vistas como profissionais, e não como meros desocupados. Seu papel na sociedade é fundamental, pois além dos motivos já enumerados, trazem um ar de humanismo à vida tão atribulada e mecânica que levamos nas grandes cidades.

Muitos valores acabaram se perdendo com o passar do tempo, e pensar nas peças artesanais como peças únicas e singulares também nos ajuda a entender um pouco o quanto cada um de nós tem características individuais que devem ser respeitadas e valorizadas. Cada um é parte de um todo e tem a sua contribuição fundamental para a sociedade. Assim deve ser enxergada a arte: um talento nato não pode jamais ser desperdiçado apenas porque “não temos mais tempo” (e nem paciência) para apreciá-lo.

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